27 março 2014

Testemunho de Johan sobre o seu SVE em Lisboa (em um Ato e duas Cenas!)

Ato I – Cena 1

Estação de Santa Apolónia

A Sara e a Aneta arrastam o Johan pelos pés para lhe empurrar no comboio.

Johan: Não! Naaaaaaoooooo! Eu não quero ir embora! Lisboa é a minha casa! Eu farei descarrilar o comboio se necessário! 
É injuuuuuustooo!

Sara: Sim, Johan! O teu SVE acabou, é necessário voltar para França. Estamos fartos de ti!

Johan: Prometo! Eu deixarei de queixar-me! Eu farei tudo o que vocês querem! Eu varrerei o escritório de SPIN o dia todo! A noite também! Eu prepararei para vocês o pequeno-almoço! Chocolates quentes quando choverá o dia todo! Eu escreverei poemas que falarão de SPIN de forma que este nome ainda ressoa nas orelhas da humanidade dentro de 1000 anos!

Aneta: Johan, fazes demais. És ridículo. E eu lembro-me que és tu que decidiste voltar para França.

Johan (põe-se de pé e removendo o pó na sua jaqueta): Sim. É verdade. Desculpem,não sei o que me passou.



Uma luz perfura o telhado da estação e chega aos pés de Johan. Esta luz move-se. 
Amália Rodrigues aparece.

Amália: Ola Johan.
Johan: Ola Senhora. 
Amália: Pois, tu vais embora.
Johan, um pouco vergonhoso: Sim, Senhora. 
Amália: Sem saudade?
Johan: Eu não prefiro falar sobre isto, Senhora.

Fernando Pessoa sai da luz.
Fernando: faltas de palavras?
Johan: Ola Senhor. É porque não é fácil expressar, a sua coisa lá, a saudade... 

Vasco da Gama aparece encima dum comboio.

Vasco: Ola filho!

Johan: Oula, é tudo o Portugal que vai se reunir aqui?
Vasco: Eu sei o que tu precisas, nada vale o mar! Vamos navegar no mar dos teus 6 últimos meses 
aqui!

A Sara e Aneta despedem-se deles cantando um fado com Amália e Fernando.


Ato I – Cena 2

O Johan e Vasco da Gama estão numa caravela.
O mar está quieto, algumas gaivotas jogam no vento.

Johan percebe algo longe fora...


Johan: Olhe, Vasco, é o meu mês de setembro que flutua por cima lá! Whaaaah, está tão carregado,
parece que vai verter o barco! Eu tinha realmente enchido os! Do acordeão, a dança, a capoeira, a aprendizagem do português, mais o inicio do SVE...

Johan: Olhe! Lá! Há pouco, eles passaram debaixo do casco do barco! E lá! Uma cambalhota 
encima da água! Sentimos que são realmente mais leve! Eles são os meus meses de Novembro e Dezembro! 

Vasco: É verdade... Eles parecem bastante felizes...

Johan: Era o começo de muitos dias chuvosos. Mas tudo ficou mais fácil. As relações que ficam mais fortes. Os meus colegas e tutores ficaram amigos.O trabalho de voluntario era cada vez mais interessante. Começamos a realizaçao de um documentario sobre os 2 anos de vida do Cineclube!Eu também comecei a falar melhor o português! Tudo ficou mais rico! Eu tinha levado hábitos: o café do domingo de manhã na mesma pastelaria, a aula de dança contemporânea da segunda-feira, o evento do cineclube cada quinta-feira a noite... 

Vasco: É o que gosto com os mares desconhecidos. Elas estão cheias de surpresas... Olha para o oeste por exemplo, estes pássaros grandes!
Johan: Ai ai! Mas eles são Janeiro e Fevereiro! Eles subiram tanto! Sobrevoam as nuvens! Estão a gozar dos últimos raios de sol pensando nas próximas costas que irão explorar... A vida está bonita. Eu estou rodeado com amigos, as ruelas de Lisboa acolhem os meus passeios... Com a Marta, a minha amiga e colega do Cineclube, realizamos um filme sobre Telheiras, o bairro onde trabalhamos. Divertimo-nos enormemente.

Vasco: Acho que os teus pássaros vão embora...

Johan, assistindo a eles indo embora para o pôr-do-sol: Sim. Mas eu confio neles. Onde quer que eles vão, eles reservam-me surpresas bonitas e encontros ricos.A Sara, a Aneta, Amália e Fernando Pessoa aparecem à popa do navio, cantando um fado.

Vasco: Dou-te boleia?

Johan: Sim, obrigado, vamos para França. Eu vou ir cultivar um pouco a minha saudade...

O barco vai embora. O sol mergulha totalmente no mar.



FIM (do ato português)
Johan Philippe

26 março 2014

Leonardo da Vinci em Derry, Irlanda do Norte – Testemunho da Andreia

Parece que foi ontem que cheguei mas na verdade já vou a meio desta experiência ‘LegenDerry’ de 3 meses na segunda maior cidade da Irlanda do Norte!

Derry revelou-se desde o início uma cidade muito acolhedora, onde toda a gente, em todo o lado, é incrivelmente simpática.

Os habitantes locais são de facto fantásticos e, como se não bastasse, tenho tido também a oportunidade de conhecer imensas pessoas, de diferentes nacionalidades, que tal como eu tiveram a sorte de usufruir duma bolsa 
Leonardo da Vinci para estagiar nesta cidade. 

Com tanta gente foi bastante fácil sentir-me integrada. Depois de 2 semanas de aulas de inglês, comecei o meu estágio num atelier de arquitectura paisagista, experiência essa que está a ser muito positiva.Neste texto faço-vos um apanhado daquelas que são até ao momento, na minha opinião, as 3 melhores coisas em Derry. 

1. As pessoas

Os habitantes de Derry são genuinamente simpáticos. Desde o senhor da padaria no supermercado até ao segurança do Guildhall City Council, todos, sem excepção, nos abordam com um grande sorriso querendo saber mais sobre nós e sobre o nosso país, e querendo partilhar qualquer coisa da sua cultura connosco. Têm um sentido de humor apurado (ainda não conheci nenhum irlandês que não goste de uma contar uma boa piada) e se lhes déssemos oportunidade para tal acho que ficavam a conversar connosco a tarde toda!


2. A História 

No que se refere à sua História Derry é tudo menos uma cidade aborrecida. Possui as únicas muralhas intactas da Irlanda, com aproximadamente 1,5 km de extensão, completamente circuláveis a pé, e toda a história da cidade é riquíssima e está muito bem documentada. Prova disso: Derry~Londonderry foi nomeada a primeira UK City of Culture no passado ano de 2013.


3. Os pubs

Os pubs são os locais de convívio de eleição. Pessoas de várias idades enchem os pubs de Derry a partir das 17 horas da tarde. São ambientes animados, normalmente com música tradicional irlandesa ao vivo, onde não faltam as famosas cervejas Guiness e a também famosa boa disposição.

video

Por estes e outros motivos estou muito contente por esta ser “A minha cidade Leonardo da Vinci”. A quem venha a conhecer Derry garanto que não se vai arrepender! :)


Andreia Martins

14 março 2014

Testemunho do Ricardo Esteves, estagiário Leonardo da Vinci na Irlanda do Norte

Eis uma Senhora experiência. Longe e consideravelmente fria,  Derry é uma pequena "grande" cidade. Após um mês, sinto que finalmente já me "encaixei" neste meio irlandês.

Pessoalmente, considero esta experiência como uma excelente oportunidade para quem nunca fez erasmus, e para quem muitas vezes pondera a emigração, como é o meu caso. 
3 meses é o tempo ideal para esclarecer algumas ideias, e Derry é em vários sentidos, um excelente sítio para tal.

Lisboa guarda-me grandes tesouros, e viver sem eles não é fácil. Confesso que as duas primeiras semanas pareceram uma eternidade, apesar de estar a entusiasmado com a experiência. Mas com uma enorme facilidade se constroem amizades nesta cidade, e sem darmos por isso ficamos entranhados numa simpática rotina.

Digo que Derry é uma "pequena" cidade porque aqui toda a gente conhece toda a gente, e facilmente reconhecem quem é de fora. No entanto, torna-se grande pela atitude que  têm connosco: todos fazem questão de se certificarem que estamos bem e felizes. Especialmente os mais embriagados, que são bastantes. 

As pessoas daqui cumprimentam toda a gente com quem se cruzam, quando nos vêem com um mapa na mão perguntam-nos se precisamos de ajuda, telefonam ou procuram com internet móvel por ruas que perguntamos… existe um esforço colectivo  notável para receber estrangeiros.
O maior choque será provavelmente o tempo. 
O frio é constante, mas a chuva, o granizo e a neve são uma inconstante, já vi num espaço de 10 minutos fazer sol, granizo, chuva, neve, e novamente sol. 

Eventualmente temos de nos habituar a não depender de todo do tempo, e estar sempre preparados para a chuva.

A comida também é diferente. Uma pessoa tem de vir preparada para novas experiências, especialmente quando estamos submetidos à cozinha de uma família de acolhimento.
A batata é uma constate, são raros os pratos em que não levem um tipo de acompanhamento derivado da batata, e posso partilhar que já tive uma refeição em que consistia em batata à murro, com batata frita, com puré de batata com molho de carne, e um tomate-cereja.

A cultura do pub é muito diferente do que se vê em Lisboa: depois do jantar às 5 da tarde, o pub é o local de retiro de toda a gente, e com toda a gente refiro-me tanto a crianças de 10 anos como a pessoas com os seus valentes 70-80 anos. A idade parece não fazer diferença em pubs, assim como as culturas e os tipos de pessoas. Vê-se de tudo. Apesar de não serem discotecas, têm muita música ao vivo para quem quiser dançar, ou simplesmente ouvir boa música, mantendo sempre um nível tolerante para quem quer conversar.

A música está em todo o lado nesta cidade. Cada canto está repleto de estudantes com instrumentos às costas, de todos os tipos. A música tradicional irlandesa está à mercê de quem a quiser encontrar, e facilmente recebem outros músicos e curiosos, ou até pessoas que fazem barulho com instrumentos como é o meu caso. Inclusive existe um símbolo que pode ser encontrado à porta de grande parte dos pubs que convida qualquer músico a entrar e a tocar se assim o desejar.


Derry tem muitos sítios por onde passear e para visitar, e torna-se ainda mais agradável quando se tem sorte com o tempo, e com facilidade se viaja de comboio e se chega a locais espectaculares com paisagens à "senhor dos anéis" ou "game of thrones", como é o caso do "Giant Causeway", e toda a costa envolvente a qual já tive o prazer de conhecer.

Contudo, já passou um mês. As saudades já apertam, mas ao mesmo tempo já se sentem algumas raízes a crescer deste lado, compreensível num solo fértil como o da Irlanda.

Devo realçar também que nunca falei com tanto orgulho do Cristiano Ronaldo, nem nunca vibrei tanto a ver o Benfica a jogar.

Ricardo Esteves

12 março 2014

Leonardo da Vinci em Derry: Testemunho do Luis Gomes

Encontro-me praticamente a meio do meu estágio LDV na cidade de Derry (Not Londonderry!).

Todas aquelas questões levantadas pelo pensamento quando me encontrava sentado no aeroporto de Lisboa, perguntas como:
Como irá ser a cidade?;
Como será a minha família de acolhimento, irão gostar de mim?
E eu deles?;
Como irá ser o meu local de estágio?

Agora que penso bem, nada tinha a recear uma vez que estou a adorar toda esta nova experiência para mim e isso traduz-se na completa ausência da noção do Tempo.

Este, tem passado demasiado depressa...muito em breve encontro-me a contar os dias que ainda me restam desta "pequena grande aventura".

O mito que afirma que na Irlanda podemos presenciar as 4 estações climatéricas num só dia é falso...! 
Apenas uma manhã é necessário!

Numa manhã quando me dirigia a pé para o local de estágio, num percurso de 25min, saí de casa com sol, levantou-se vento, caiu granizo, chuva e por fim, sol novamente!

Mas nem tudo é mau no clima Irlandês, hoje presenciei o primeiro dia COMPLETO sem chuva, finalmente fiz uso aos óculos de sol xD


Encontro-me a estagiar numa das farmácias do grupo Bradley's, todo o Staff bem como todas as pessoas na Irlanda do Norte são 5*. Sempre que passam por ti na rua cumprimentam-te e por vezes lá surge uma pergunta muito comum por aqui: "What's the Craic?" que significa: "Como estás?; Como tens passado?".

Inclusive no autocarro, toda a gente, independentemente da classe social ou idade, cumprimenta e agradece à saída ao motorista, provavelmente dos poucos sítios onde isto acontece sistematicamente.

Foi difícil mas já consegui habituar-me ao facto de aqui se conduzir no lado contrário da estrada, sempre que tentava atravessar a estrada olhava para o lado errado!

Derry é uma cidade de pequenas dimensões mas com muito para ver!


Todavia ainda tenho muito para descobrir bem como, muitooos Pubs para entrar =P

Prometo muito em breve avançar com mais detalhes desta aventura uma vez que, muito em breve, irei presenciar talvez um dos dias mais importantes de toda a Irlanda - St Patrick's Day (17 Março) em que toda a gente veste algo de cor verde e sai à rua para comemorar.





Luis Gomes

Já cheira a Primavera em Lisboa - Testemunho da Marta

Já cheira a Primavera em Lisboa.

Faz um dia maravilhoso como no dia que eu cheguei aquí há 6 meses para trabalhar como voluntária no Cineclube de Telheiras. 

Tudo aconteceu muito rápido, não acredito que já termine esta experiência incrível. 

Penso em todas as pessoas que eu conheci, tudo o que aprendi sobre Portugal e os portugueses, aprendi uma nova língua, aprendi sobre novas culturas e despertaram-se novos intereses.

Eu mais o meu amigo Johan, voluntário da França, organizamos os grandes eventos que aconteciam no Cineclube.

O cinema é a minha paixão e gostei inmenso de participar de um projeto como este.

Aprendimos muito da cultura portuguesa junto com os nossos chefes o Pedro e a Helena, o mesmo tempo que vivemos muitos momentos divertidos. 

Agradeço a eles e a todas as pessoas que encontrei pelo caminho a calorosa acolhida que recebi.

Após esta experiencia sinto que ainda tenho muitas coisas para descobrir em Portugal e Lisboa é uma cidade que tem muitas coisas para oferecer, assim vou aproveitar os próximos meses para viajar e desfrutar um pouco mais do que foi esta grande aventura. 

Estou muito contente por ter tido esta oportunidade e levo comigo ótimas lembranças que nunca esquecerei.


Marta Gárcia

10 março 2014

Testemunho do Luis Santos - Leonardo da Vinci em Lyon, França 

Um novo país, uma nova cidade, uma nova lingua.
Tudo é novo e diferente. 
« Primeiro estranha-se depois entranha-se ». 

Antes da partida, a euforia e a expectativa. Com a chegada a Lyon a concretização de um sonho tornado realidade. 

Viver no estrangeiro e ter uma experiencia profissional internacional aconteceu graças ao programa Leonardo da Vinci! A adaptação a um novo país requer tempo. A flexibilidade e a adaptabilidade a um novo ambiente de trabalho devem pautar a nossa experiência. Definir um plano de estágio de acordo com o nosso perfil, estudos e experiência profissional é vital !

A cada descoberta, um sentimento revigorante e a vontade de partilhar este momento com os que estão longe.

Vale-nos a objectiva para imortalizar o momento.

Aqueles que ponderam candidatar-se, deixo-vos uma mensagem de esperança, optimismo, determinação e energia.

Com a promessa de que em cada recanto das terras gaulesas vão encontrar um pedaço de história, um bife sublime para apreciar e uma carta de vinhos diversificada para degustar.

Despeço-me com a garantia de muito em breve dar-vos mais detalhes sobre esta minha jornada que ja mudou e vai mudar mais « qualquer coisa » na minha vida .

A bientôt ! 

Luis Santos

Testemunho de Lídia Nicolau: Bienvenues à Lyon

As primeiras semanas passaram num piscar de olhos. As duas primeiras foram ocupadas com as aulas de Francês. E na terceira semana começou o estágio. Antes de sair de Portugal, a curiosidade e as expetativas são muitas. É importante definir objetivos pessoais e profissionais mas também estar consciente que nem tudo será como imaginámos.

Para além da adaptação a um novo país, ficar a viver com uma família de acolhimento também é uma novidade. Mais do que companhia, o fundamental tem sido o acompanhamento numa nova cidade. Algo tão simples como mostrar onde fica o supermercado mais próximo ou emprestar um computador portátil porque o meu tem um problema no monitor são pequenos gestos que fazem diferença.

Determinadas situações em Portugal ganham uma dimensão ampliada quando estamos fora da nossa zona de conforto. Ir às compras é uma tarefa mais demorada, uma ligeira dor de garganta pode ser assustadora e escolher a refeição certa nos tradicionais restaurantes bouchons ou nos bistros é um desafio.

Estar num país onde não se compreende totalmente a língua é uma alavanca para que certas situações se tornem em tarefas árduas. Logo, as peripécias são algumas. A mais recente foi o aluguer de uma bicicleta. Em Lyon foi criado um sistema inovador de empréstimo de vélos. 

Na cidade existem 365 postos onde se levar emprestada uma bicicleta. Conseguir pagar o “empréstimo” revelou-se uma missão demorada. Para um dia o valor do aluguer é 1,5€ e o valor da caução é de 150€. Conseguir perceber esta simples informação só foi possivel com ajuda e paciência de um monsieur.

Até agora, os lyonnais têm se mostrado pessoas simpáticas, agradáveis e prestáveis.

Parece que dizem “bonjour” a sorrir e quando ouvem falar outra língua perguntam de onde somos, porque estamos em Lyon e como está a situação em Portugal. E confirma-se que regressam a casa com as tradicionais baguetes na mão.

Pode parecer estranho estar a escrever no plural mas o programa Leonardo da Vinci para Lyon incluía duas vagas. Viajar para um país estrangeiro na companhia de um colega (ou melhor, de um amigo) confere bastante segurança e apoio em todo o processo de adaptação. Porém, as palavras de ordem são sempre motivação,  flexibilidade  e vontade de aproveitar este desafio.

Parece que ainda mal conheço a cidade e tudo o que tem para oferecer. Mas, por outro lado, já não me sinto perdida e nem tenho de perguntar constantemente as direções seja para onde for. Lyon já é a minha cidade e já me conquistou. É uma cidade cosmopolita, movimentada, grande e convidativa. E que ao mesmo tempo sabe ser tranquila e marcar o seu ritmo. As boulangeries e as patisseries sao sítios deliciosos e as suas montras são minuciosamente decoradas. Existem vários quiosques de floristas que dão às ruas um bonito colorido.  Em dias de sol e céu azul, as esplanadas e os jardins enchem-se de pessoas. Aos domingos quase todo o comércio (incluindo os maiores centros comercais) fecha as portas. Talvez por isso aqui em Lyon, quase todos os espaços publicos fiquem repletos de gente.

Com exceção de duas colinas, Fourvière e Croix-Rousse, a cidade é plana. Para além das bicicletas, quase tudo o que tem rodas serve como meio de transporte. Patins, monociclos, skates e trotinetes. Saltos altos e gravatas combinam na perfeição com estes meios de mobilidade. Crianças que ainda mal sabem andar já são habilidosas patinadoras.

No entanto, Lyon dispõe de uma ótima rede de transportes públicos que cobre toda a cidade. Por exemplo, nas linhas mais movimentadas nas horas de ponta, o metro passa de dois em dois minutos. E aqui, o passe para os transportes públicos custa 5 euros e fica pronto na hora.

Um dos meus objetivos é ficar a conhecer bem a cidade de Lyon. Alguns dos pontos incontornáveis são a Place Bellecour (a maior da cidade e uma das maiores da Europa), passear junto dos rios Saône e Rhône qua atravessam a cidade e lhe conferem um encanto singular, apreciar as grandes paredes pintadas com recurso à técnica trompe l'oeil, visitar alguns dos muitos museus, passear nos 117ha do Parc de la Tête d'Or (um dos maiores de França), explorar os mercados ao ar-livre que acontecem aos fins de semana de manhã, atravessar Vieux Lyon (e passar pelos traboules – passagens secretas nos prédios) para chegar a Fourvière e ter a vista panorâmica mais deslumbrante da cidade.
Ver o anoitecer sobre a cidade no seu ponto mais alto é uma imagem que nunca vou esquecer.

E ainda há tanto para descobrir aqui. Daqui a pouco tempo espero sentir-me como uma local mas olhar para Lyon como uma criança olha para um brinquedo novo.

Lídia Nicolau